Seminário debate acessibilidade e futuro dos museus da Unochapecó
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Encontro amplia o diálogo com diferentes públicos para pensar o papel do CEOM e do Museu de Ciências Naturais nos próximos anos
Pesquisadores, profissionais de museus e da cultura, estudantes, professores, técnicos, gestores da Unochapecó e de diferentes espaços culturais do Oeste catarinense, além de participantes da Romênia, da Argentina e da Colômbia participaram, nesta quarta-feira (26), do seminário “Nosso Futuro Comum - Plano Museológico do CEOM e do Museu de Ciências Naturais: integrando conhecimentos sobre as relações natureza-cultura”. O encontro, realizado na Unochapecó, marcou o início da participação da comunidade externa na construção do novo Plano Museológico do Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina (CEOM) e do Museu de Ciências Naturais (MCN).
A acessibilidade foi um dos principais temas do evento. O professor Vagner Bozzetto, mestre em Letras e bacharel em Comunicação Social, apresentou dados do Censo 2022 do IBGE, que apontam 14,4 milhões de pessoas com deficiência no Brasil. Ele destacou que a acessibilidade vai além da estrutura física e envolve atitudes, comunicação, metodologias, tecnologias assistivas e o cumprimento das legislações. Também defendeu a participação das pessoas com deficiência na construção das soluções.
Em sua palestra, Bozzetto explanou sobre como integrar as diversas demandas de acessibilidade nos museus, apresentou um panorama de questões ligada à legislação e editais de fomento para buscar recursos para implantar medidas de acessibilidade, além de falar sobre o que já avançou e quais são os desafios.
Bozzetto citou como exemplo a exposição “Povoamentos Pré-coloniais de Santa Catarina”, do CEOM, realizada em 2024 com audiodescrição desenvolvida por meio da parceria entre equipe museológica, profissionais da comunicação, consultores e pessoas cegas. Para ele, é necessário sensibilizar gestores, estabelecer metas, discutir orçamentos e transformar o compromisso com a inclusão em ações concretas.
“Já percebemos um avanço significativo nos últimos cinco, seis anos e, agora, pretendemos consolidar essa pauta tanto no MCN quanto no CEOM”, frisou.
CONSTRUINDO FUTUROS
A professora Josiane Roza de Oliveira, historiadora, pesquisadora de pós-doutorado na Cátedra da Unesco Oswaldo Cruz em Ciência, Saúde e Cultura, da Fiocruz, e integrante da equipe de consultoria do Plano Museológico, destacou a necessidade de superar a separação histórica entre natureza e sociedade. Para ela, a aproximação entre CEOM e MCN permite compreender como natureza e cultura estão profundamente relacionadas.
Josiane também ressaltou que o Plano Museológico precisa ser construído coletivamente, ouvindo profissionais, pesquisadores, professores, estudantes, comunidades, instituições parceiras e visitantes para definir quais museus se deseja construir para os próximos anos.
A pró-reitora de Pesquisa, Extensão e Pós-graduação da Unochapecó, Andréa de Almeida Leite Marocco, reforçou o papel da universidade na preservação da cultura, da história e da memória, contribuindo para compreender as origens e pensar os caminhos para o futuro.
A coordenadora do CEOM, Mirian Carbonera, e a coordenadora do Museu de Ciências Naturais, Sandra Mara Sabedot Bordin, apresentaram as ações desenvolvidas pelas instituições. Criado em 1986, o CEOM é referência na pesquisa, preservação e difusão do patrimônio histórico e cultural do Oeste catarinense. Já o MCN, criado em 1992, reúne coleções biológicas e atua em pesquisa, extensão, educação e divulgação científica.
PLANO MUSEOLÓGICO
A professora Denise Argenta, pesquisadora de museus e doutora em museologia e patrimônio pela Unirio e integrante da equipe de consultoria do Plano Museológico, explicou que o documento orienta a atuação dos museus, definindo missão, objetivos, valores, visão de futuro, programas e metas. No caso do CEOM e do MCN, a proposta também busca aproximar memória, ciência, patrimônio, educação e meio ambiente.
“Foi um momento importante para falarmos sobre acessibilidade, que é um dos pilares do plano museológico. Também foi o momento de dar mais visibilidade ao plano e chamar a comunidade para participar”, destacou a museóloga responsável pelo projeto, Elisandra Forneck.
O seminário contou com a participação de tradutores da Central de Intérpretes de Libras.
Durante a tarde, a programação seguiu com uma oficina voltada para as equipes internas dos dois museus, visando atualizar a missão, a visão e os valores institucionais para o planejamento dos próximos 5 anos.
O projeto que dá origem ao novo Plano Museológico foi selecionado no Prêmio Elisabete Anderle de Estímulo à Cultura – Edição 2025, da Fundação Catarinense de Cultura, e prevê, ao longo de 12 meses, a elaboração do planejamento do CEOM e do MCN, buscando identificar possibilidades de articulação entre as duas instituições.
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