E-book reúne pesquisas realizadas por estudantes e professores de Jornalismo
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Texto Fernando Bortoluzzi*
'Um sonho que começou há mais de dez anos e que foi, aos poucos, reunindo professores e estudantes em torno do estudo da mídia cidadã, um conceito ainda pouco utilizado e muitas vezes ignorado por profissionais da comunicação e até mesmo por pesquisadores'. Esta é parte da apresentação do livro 'Mídia e cidadania: complexidade, impasses e desafios', que surgiu a partir de projetos de pesquisa e extensão realizados por professores e estudantes da Unochapecó à luz do conceito de mídia cidadã: o jornalismo conduzido e produzido pela comunidade para a comunidade. O lançamento oficial da obra ocorre no evento alusivo ao Dia do Jornalista, organizado pelo curso de Jornalismo, na próxima segunda-feira (08/04), no plenário do Bloco G, às 19h30.
O livro é organizado pelas professoras do curso, Ilka Goldschmidt e Mariângela Torrescasana, e foi publicado pela Editora Argos, no ano de 2018. A obra está disponível no site da Editora no formato e-book e pode ser acessada gratuitamente.
A coletânea reúne artigos e relatos sobre experiências de mídia cidadã desenvolvidos entre os anos de 2010 e 2015. Seu intuito é contribuir para a compreensão e aplicabilidade de uma mídia mais inclusiva, e reúne trabalhos que abordam temáticas como democratização dos meios de comunicação, movimentos sociais e recepção de cinema.
Para a professora Ilka, há confusão entre os termos mídia cidadã e comunicação comunitária ou alternativa. "A mídia cidadã tem como característica o envolvimento de uma determinada comunidade, de um determinado grupo na produção, desde a elaboração até todo o processo. Elas não têm a responsabilidade de entregar um produto com qualidade técnica e estética. O objetivo é que eles participem do processo de produção, algo que seja de mídia, isso empodera as pessoas. Elas passam a entender um pouco melhor o lugar onde estão e também se sentem mais ativas", explica.
A professora Mariângela Torrescasana, diz que há pouco espaço na mídia para as necessidades das minorias e que o livro propõe justamente mostrar que existem outras maneiras de produzir jornalismo. "Eu acho que essas pesquisas e trabalhos desenvolvidos mostram exatamente isso: que existe alternativa. É quase como se fosse uma janela da esperança. Que a gente pode fazer diferente mesmo quando tudo parece conspirar contra", afirma.
Mariângela acrescenta que livros como esse ajudam os profissionais da área da comunicação a perceber que é preciso se preocupar com as causas públicas, e fazer um jornalismo muito mais cidadão e mais próximo da comunidade. "O trabalho do jornalista não é dentro de um espaço, é na rua. Não é a tecnologia que vai nos permitir enxergar com os nossos olhos, com as nossas vivências, para poder descrever aquilo que realmente a gente percebe. Isso só se vê, só se constrói indo atrás da notícia, percebendo essa informação, sentindo na alma", conclui.
O egresso do curso de Jornalismo Cássio Dal’Ponte desenvolveu uma pesquisa junto com a professora Mariângela, que resultou no artigo 'O contrato de leitura do Jornal Folha do Bairro'. Cássio comenta que essa experiência contribuiu para sua formação não só como pesquisador e profissional, mas também como pessoa. "Os conceitos de mídia e cidadania, quando atrelados, caminham para uma comunicação mais acessível e inclusiva, o que é muito importante por promover a pluralidade das práticas comunicativas na contemporaneidade", conclui.
*Estagiário da Acin Jornalismo, sob supervisão de Eliane Taffarel
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