Esporte como ferramenta de transformação no ensino
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Texto Ionara Virmes*
Bronze na categoria peso-ligeiro (-48kg) dos Jogos Universitários Brasileiros (JUBs) de 2021, Maria Eduarda Eberhard Bahu, de 21 anos, pratica Judô desde 2007. Na época, a estudante de Direito da Unochapecó morava em Erechim-RS, e sua escola ofertava variados esportes para a prática extracurricular. Desde então, a modalidade faz parte da sua rotina.
O JUBs deste ano aconteceu entre os dias 10 e 18 de outubro e contou com a participação de atletas de 271 universidades de 27 estados brasileiros. Para Maria Eduarda, a convocação para as competições foi uma confirmação de sua autoconfiança, de seus treinos antes da pandemia e da sua perseverança durante o isolamento. "Essa medalha representa um ano de muita superação, pois foi a minha primeira competição depois de um ano e meio sem poder competir. É fruto de muito trabalho e dedicação que, de forma adaptada, não parou mesmo com a pandemia", relata.
Para a atleta, representar a Unochapecó em uma competição de nível nacional, e ainda estar entre as três melhores judocas de sua categoria do país é muito gratificante. "Poder trazer uma medalha para a Universidade, que me apoiou desde o início da caminhada como atleta universitária, não tem preço", ressalta.
Conquistar um lugar no pódio dos Jogos Universitários Brasileiros, só foi possível pois a Unochapecó acredita no poder transformador do esporte. Por conta disso, mantém parceria com diversas modalidades esportivas de Chapecó e, por meio do bolsa atleta, possibilita que os esportistas tenham a chance de construir uma carreira além do esporte. Neste ano, as modalidades apoiadas pela Universidade são: Atletismo, Ciclismo, Futebol Feminino, Futsal (C5 Futsal/AABB), Judô, Karatê, Natação, Taekwondo e Ginástica Artística.
A Universidade apoia também a Associação Chapecoense de Futebol, auxiliando no desenvolvimento do time e das categorias de base. As ações realizadas beneficiam, também, os estudantes com oportunidades de estágios e contato com a prática profissional.
"O investimento no esporte sempre fez parte do DNA da Unochapecó. E além de ser importante para revelar futuros atletas, também é uma grande ferramenta educacional de inclusão social, de socialização e de formação de pessoas", destaca o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento da Universidade, professor Marcio da Paixão Rodrigues.
Salto para o futuro
Para Ketllyn Pâmela Daniel Zanette, a bolsa esportiva representou sua estabilidade no Atletismo, ainda mais durante a transição da adolescência para a fase adulta. Graduada em Educação Física, Ketllyn participou de torneios representando a Uno desde o primeiro período do curso, e tem seu nome marcado nas modalidades de Salto à Distância e Salto Triplo. Sua mais recente conquista nesta modalidade foi o terceiro lugar no Troféu Brasil, a maior competição da América Latina, realizado em junho de 2021.
Durante a pandemia, sua rotina, voltada aos treinos, sofreu grandes mudanças. No primeiro mês a pista de treinamento foi interditada e os treinos completamente parados, com eles veio a perda do desempenho físico, força e de ânimos. Visando sair dessa linha decrescente, os treinos foram inovados e levados para campos da comunidade, como na Linha Mantelli, por exemplo. Próximo da competição, a pista começou a ser liberada gradualmente para a retomada dos treinos. Mesmo com as adversidades, alternando entre ruas, rampas, campos e treinando pouco tempo na pista, a atleta melhorou sua marca no ranking em um metro e garantiu a medalha de bronze na competição nacional.
Após um período de dificuldades nos treinos, sua vitória além das pistas foi concluir sua graduação, no primeiro semestre deste ano. Retornando a Universidade para receber seu diploma, Ketllyn lembra com saudosismo de sua jornada como atleta, a qual teve seu estopim ainda no Ensino Médio. A sua entrada na Instituição, em 2017, tinha como foco a saúde, assim, mesclou com sua paixão esportiva e ingressou no curso de Educação Física. Aqui, além de participar de competições e festivais, também foi bolsista no projeto 'Sorriso Para a Vida'. "Houveram muitas atividades no decorrer do curso, envolvendo pessoas de fora e entre os colegas, o que me fez evoluir muito. Então, todas foram grandes experiências, que agregaram muito para minha vida pessoal e profissional", conta.
Ela lembra, ainda, todo o apoio recebido pelos professores do curso, essencial para continuar com o atletismo, manter seus estágios e sair com o canudo na mão.
"A faculdade me agregou muito, abriu novos olhares por completo, tanto profissionalmente quanto pessoalmente e eu me entreguei por completo. Dei meu máximo durante toda a graduação e não me arrependo em nenhum momento do curso e da universidade que eu escolhi", sublinha.
O último semestre, para Ketllyn, também representou suas últimas disputas representando a Unochapecó, mas para ela, essa está longe de ser uma despedida das competições universitárias. "Elas são muito bacanas para nós, pois são muito profissionais e divertidas de competir. Minhas melhores marcas são de campeonatos universitários. O brasileiro universitário, por exemplo, tem muitas dinâmicas, jogos e brincadeiras que envolvem todos os acadêmicos que estão lá competindo. Mas não vejo como uma despedida, se eu pudesse fazer outra graduação agora eu faria, ou, posteriormente, um mestrado", finaliza.
*Estagiária sob supervisão de Gabriel Kreutz
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