CEOM celebra 40 anos preservando memórias e produzindo conhecimento
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Criado em 1986, Centro consolidou-se como referência na preservação, pesquisa e valorização do patrimônio cultural do Oeste catarinense
Há quatro décadas, o Centro de Memória do Oeste de Santa Catarina (CEOM) se dedica a pesquisar, documentar e dar visibilidade à história e à cultura da região. Criado em 1986, o Centro completa 40 anos em 2026, reafirmando seu compromisso com a preservação do patrimônio e com a produção e a democratização do conhecimento sobre o Oeste catarinense.
A ideia de constituir um espaço dedicado à memória regional já estava presente no início da década de 1980. Sua efetivação ocorreu em 1986, quando o CEOM se tornou um dos primeiros programas de pesquisa e extensão da então Fundação Universitária do Desenvolvimento do Oeste (Fundeste). Inicialmente, o propósito era construir conhecimento, pesquisar a região e contribuir para que o Oeste pudesse contar a própria história. Ao longo dos anos, o Centro ampliou sua atuação e consolidou-se também como um importante espaço de preservação do patrimônio regional.
A iniciativa reuniu profissionais das Ciências Humanas e contou, para sua consolidação, com o empenho institucional da Fundeste, recursos obtidos junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e articulação com diferentes agentes públicos.
Desde os primeiros anos, o trabalho desenvolvido pelo Centro ultrapassou a simples guarda de documentos. A proposta era compreender os processos históricos que constituíram a região e dar visibilidade a sujeitos, grupos e experiências que, muitas vezes, permaneciam à margem das narrativas oficiais.
Para a professora Arlene Henk, uma das pioneiras na implantação do CEOM, a criação do Centro respondeu a uma necessidade de compreender o Oeste a partir de sua própria realidade.
“O CEOM nasceu em um momento em que havia uma necessidade muito grande de conhecer a história do Oeste a partir da própria região. Não se tinha uma literatura sobre a região. O que tínhamos eram escritos destacando a primeira missa, o primeiro morador, a primeira idade. Eram narrativas focadas no processo de colonização e pouca história dos povos que já estavam aqui. Havia uma necessidade de demarcar o espaço e dizer: nós somos capazes de produzir algo sobre nossa região, de pensá-la e estudá-la”.
Esse movimento também se expressou na produção editorial. Em novembro de 1986, poucos meses após sua criação, foi publicada a primeira edição da revista Cadernos do CEOM, que se tornaria um dos principais instrumentos de divulgação das pesquisas desenvolvidas sobre o Oeste catarinense.
Ao longo dos anos, o CEOM passou por mudanças de sede, ampliou sua equipe, diversificou suas linhas de pesquisa e estabeleceu novas formas de diálogo com a comunidade. Em meio às transformações, permaneceu o compromisso de produzir conhecimento e contribuir para o reconhecimento das diferentes histórias que constituem a região.


Um patrimônio de 12 mil anos
Mantido pela Unochapecó/Fundeste, atualmente, o CEOM atua como museu e tem entre seus principais pilares a salvaguarda de um expressivo acervo histórico-cultural. São documentos textuais, iconográficos, cartográficos e bibliográficos, além de registros orais e audiovisuais, artefatos e vestígios arqueológicos que ajudam a contar cerca de 12 mil anos de história regional.
A preservação desse patrimônio envolve um trabalho permanente de pesquisa, documentação, conservação, acondicionamento e armazenamento, realizado com o apoio de laboratórios especializados e reservas técnicas.
Mas o acervo não se resume àquilo que está guardado. O trabalho de pesquisa, interpretação e comunicação desenvolvido pelo CEOM permite que esses registros sejam acessados e compreendidos por diferentes públicos. O Centro mantém a produção científica, a revista Cadernos do CEOM, projetos de pesquisa nacionais e internacionais, exposições temporárias, itinerantes e de longa duração, além de ações educativas e projetos continuados de educação patrimonial realizados na sede e em diferentes municípios do Oeste catarinense.
O acesso também faz parte desse compromisso. Desde 2006, o CEOM mantém um banco de dados digital que disponibiliza gratuitamente informações e acervos para pesquisadores, estudantes e comunidade em geral. Da mesma forma, os atendimentos e as atividades desenvolvidas pelo Centro são oferecidos gratuitamente.
Para a coordenadora do CEOM, Miriam Carbonera, os 40 anos representam uma oportunidade de reconhecer essa trajetória e, ao mesmo tempo, reafirmar o compromisso com o futuro.
“Celebrar 40 anos é reconhecer uma trajetória construída por muitas pessoas e, principalmente, reafirmar que a memória precisa continuar sendo cuidada, pesquisada e compartilhada. O CEOM preserva documentos e objetos, mas também preserva possibilidades de interpretação sobre quem somos e sobre os caminhos que construíram o Oeste. Nosso desafio é fazer com que esse patrimônio continue significativo para as novas gerações.”



Da região para o mundo
Ao longo de quatro décadas, o CEOM também se consolidou como espaço de pesquisa, formação e articulação entre museus e instituições culturais. Na última década, essa atuação foi ampliada por meio de parcerias internacionais e projetos desenvolvidos com instituições da Argentina, França e Itália.
Esse movimento reforça uma característica presente desde a origem do Centro: a compreensão de que conhecer profundamente o território também significa estabelecer diálogos com outras experiências e perspectivas.
Para a pró-reitora de Ensino, Pesquisa e Extensão da Unochapecó, professora Andrea de Almeida Leite Marocco, a trajetória do CEOM expressa a integração entre os diferentes pilares da Universidade.
“O CEOM representa de maneira muito significativa a integração entre ensino, pesquisa e extensão. Ao mesmo tempo em que produz conhecimento científico e contribui para a formação de estudantes e pesquisadores, o Centro coloca esse conhecimento a serviço da sociedade, preservando e democratizando o acesso ao patrimônio cultural. É uma atuação que reafirma o papel da Unochapecó como uma universidade comprometida com o desenvolvimento e com a transformação social da região.”
A existência de um centro dedicado à memória regional também reforça a inserção da Unochapecó no território. Desde sua origem, o CEOM contribui para esse propósito ao investigar processos históricos, sociais e culturais que constituem a região de abrangência da Universidade.
Para o reitor em exercício da Unochapecó, José Alexandre de Toni, os 40 anos do CEOM representam uma conquista que ultrapassa os limites da própria Universidade.
“O CEOM é um patrimônio da Unochapecó e, sobretudo, um patrimônio da região. Ao longo de quatro décadas, o Centro ajudou a preservar documentos, objetos, relatos e diferentes vestígios da nossa história, mas também contribuiu para que o Oeste pudesse conhecer melhor a si próprio. Celebrar essa trajetória é reconhecer a importância da ciência, da cultura e da memória como instrumentos de desenvolvimento e de transformação social.”



Quatro décadas, novos caminhos
Ao completar 40 anos, o CEOM celebra uma trajetória marcada por permanências e transformações. A missão de preservar e pesquisar a história regional permanece, mas os meios de realizar esse trabalho se ampliaram. Novos formatos de comunicação, ferramentas digitais, pesquisas colaborativas e parcerias nacionais e internacionais passaram a fazer parte do cotidiano do Centro.
As comemorações dos 40 anos acompanham esse movimento. Entre as ações previstas estão a produção de podcasts, com publicações mensais entre agosto e dezembro, e conteúdos especiais para as redes sociais. A programação também inclui o lançamento de um novo site, ampliando as possibilidades de acesso às informações e aos acervos do Centro.
Confira aqui o primeiro episódio da série especial CEOM 40 anos.
Mais do que celebrar uma data, as iniciativas comemorativas convidam a sociedade a conhecer uma trajetória que se confunde com a própria construção do conhecimento sobre o Oeste catarinense.
Em quatro décadas, o CEOM preservou documentos, objetos, relatos e diferentes vestígios do passado. Mas seu trabalho nunca esteve restrito ao que já aconteceu. Ao pesquisar, conservar, expor e compartilhar esses registros, o Centro ajuda a construir novas perguntas sobre o presente e a ampliar as possibilidades de compreensão sobre o futuro.
É assim que uma instituição dedicada à memória permanece viva: preservando aquilo que passou, mas também criando condições para que novas gerações possam conhecer, questionar e ressignificar a história do território.



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