Pai é inspiração para a vida
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Lembro-me bem que todas as terças-feiras meu pai saia para jantar com os amigos. Eu tinha uns nove ou dez anos na época. Engraçado, mas era o dia da semana que eu menos gostava. Achava muito ruim ficar somente nós três em casa - eu, minha mãe e minha irmã. Sentia insegurança em não ter a presença física do meu pai. No entanto, em meio a esse sentimento, me tranquilizava um pouco o fato de conseguir vê-lo da janela de casa. É porque o local das jantas era bem pertinho de onde eu morava, e assim, mesmo que de longe, era possível acompanhar todo o movimento dele. O suficiente para me sentir protegida. Esse é apenas um exemplo, entre tantos, que me fez perceber que pai é o nosso herói da vida real. E não somente pela proteção, mas por ser uma figura inspiradora e fundamental para a construção do nosso ser.
Quem também concorda com isso é Cesar Augusto Seidler. O professor da Unochapecó tem o seu pai como uma referência de vida, tanto pessoal quanto profissional. E claro, não é para menos. César é filho do professor Plinio Seidler, um dos grandes nomes da Unochapecó. Há 48 anos, Plinio foi um dos responsáveis por trazer o ensino superior à região Oeste catarinense, com a criação da Fundeste/Unochapecó. Também esteve à frente de outras importantes conquistas, como a implantação do curso de Engenharia Civil, que agora, por sinal, o filho é o coordenador. Ou seja, essa é uma história que passou de geração para geração.
"Me inspirei no meu pai para escolher a profissão de engenheiro civil. Ele é um excelente profissional, trabalhou pelo Brasil inteiro, tem uma experiência muito grande. Além disso, é uma pessoa muito centrada, correta e ética. Foi ele quem me guiou para esse caminho", comenta.
Cesar cresceu vendo seu pai trabalhar dentro da Universidade. A princípio acompanhava de longe, já que era pequeno. Mais tarde começou a acompanhar bem de perto, quando ingressou na primeira turma do curso de Engenharia Civil e o pai passou a ser também seu professor. "Ele sempre foi muito exigente comigo. Foi meu professor em muitas disciplinas, cobrava bastante, mas enfim, é o papel de pai também. Não tenho palavras para agradecer, ele foi um super mestre".
Ser filho do Plinio, para Cesar, é um misto de sentimentos. Orgulho, alegria, inspiração e, principalmente, responsabilidade. "Eu tenho uma referência muito forte e positiva do meu pai. Ele sempre me dá suporte, me apoia, espero que me acompanhe por muito tempo ainda''.
Pai é porto seguro
Júlia Smaniotto Dias, estudante de Medicina Veterinária, não esconde que o pai, o professor da Unochapecó, Ilo Odilon Villa Dias, é para ela seu porto seguro. "Meu pai é uma pessoa que me traz segurança em relação às decisões que tomo na vida, em não ter pressa nas coisas. Me traz tranquilidade e paz".
Essas características, talvez, tenham sido o conforto que ela tanto precisava para tomar uma decisão muito importante. Trancar o curso de Direito para iniciar Medicina Veterinária, área que sempre a interessou. "Ele me disse: se tu viu que não é esse o caminho, que não está dando certo, tem que mudar mesmo", acrescenta.
E foi o que ela fez. Iniciou em 2018 o curso de Medicina Veterinária na Unochapecó. E em meio a toda essa mudança, a jovem teve a grata experiência de dividir a sala de aula com o pai. Ele como professor, ela como aluna. "Foi muito legal ver de perto como ele é na área profissional. Desde pequena via ele saindo para dar aula, e agora poder acompanhar de perto é motivo de muito orgulho", comenta a estudante. Mas se engana quem pensa que ter aula com o pai é fácil. "Os colegas pediam: Júlia passa as provas, mas eu não tinha, é claro. Meu pai foi bem rigoroso, mas um ótimo professor", finaliza.
Que este domingo, Dia dos Pais (12/08), seja apenas mais um dia para agradecer. Afinal, não precisamos de uma data específica para lembrar de quem tanto amamos.
*Jornalista do Núcleo de Produção de Conteúdo (NPC) - UnochapecóCompartilhe