Uma hora que gera economia
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Muito mais do que adiantar uma hora no relógio, o horário de verão foi adotado no Brasil em 1931 com o intuito de diminuir o consumo de energia. O principal foco é no horário de pico, das 18h30 às 21h30, de segunda a sexta-feira. Essa mudança interfere na rotina das pessoas e divide opiniões nos dez estados brasileiros que aderem a prática.
"O horário de verão foi implementado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para economizar energia e evitar que futuramente seja necessário fazer racionamento. Hoje a geração já está no limite, ou seja, a produção é para suprir a demanda atual. Porém, como a demanda sempre cresce, ainda não se tem uma geração que consiga acompanhar", explica a professora do curso de Engenharia Elétrica da Unochapecó, Diana Martinello.
Nas últimas edições, a redução do consumo diminuiu, e hoje chega a um percentual muito baixo. No ciclo de 2016/2017, foram apenas 4,3% de redução na região Sul. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), cabe ao Governo Federal reavaliar a política para os próximos anos. E deve levar em consideração que os impactos do horário de verão não são restritos ao setor elétrico.
Para a professora Diana, o horário de verão é uma ferramenta necessária e uma estratégia que ainda funciona. "O adiantamento de uma hora ainda é viável, mesmo que a redução seja menor, pois é uma alternativa que a gente consegue trabalhar com a conscientização", afirma. Ela complementa que a redução do consumo gera uma vantagem financeira, tanto para o cidadão quanto para o sistema.
Vilões do consumo
Os dias mais longos e as noites mais curtas fazem parte do período do ano em que o calor afeta a rotina da população. Seja em casa ou no trabalho, o ar condicionado virou o principal instrumento de combate ao clima quente. Por outro lado, ele se tornou um dos vilões da conta de energia, principalmente pelo alto consumo.
O gasto de energia, de acordo com a professora Diana, é calculado pela junção de dois fatores: a potência e o tempo que você usa o equipamento. "Por isso, equipamentos que possuem alta potência, como o chuveiro, ferro de passar e ar condicionado, se utilizados por um longo tempo, elevam o consumo e, consequentemente, a conta de energia", ressalta.
Para economizar, o jeito é tomar alguns cuidados. Diana aponta que a principal atitude é reduzir o tempo de consumo dos equipamentos com alta potência e adotar algumas práticas diárias. "Acumule as roupas para passar ferro, evite utilizar a função de descongelar do microondas, apague a luz ao sair de um ambiente. Ainda, reduza o tempo do banho, utilize lâmpadas led e tire da tomada os equipamentos que não estão em uso. Ao utilizar o ar condicionado, mantenha portas e janelas fechadas e evite entradas de sol no ambiente", aconselha a professora.
Outra forma de economizar na conta de luz é aderir a fatura branca. Ela pode ser solicitada direto com a concessionária de energia. A economia pode chegar 15% do valor da tarifa. "A fatura branca cobra de acordo com o horário que você consome a energia. Por exemplo, se o consumo for no horário de pico, a tarifa do kwh é mais cara e em outros horários mais barata", explica Diana.
A economia de energia pode ser realizada durante todo o ano. Porém, algumas pessoas ainda não possuem esse costume. É preciso criar o hábito de ter essas atitudes de economia todos os dias. Este ato, além de diminuir a fatura da luz, também colabora com o meio ambiente.
Lado bom
Laiza Teixeira, estudante da pós-graduação em Design e Gestão da Marca: Branding, da Unochapecó, espera ansiosamente todos os anos pelo horário de verão. "Eu ainda não me adaptei ao inverno, pois vim da Bahia, uma região quente, e por mim poderia ser sempre assim", afirma.
Com uma rotina corrida, ela sai de casa todos os dias às seis horas da manhã, pega dois ônibus para chegar ao trabalho e só retorna no final da tarde. No inverno, o tempo de claridade natural é mais curto, por conta disso, quando ela sai do trabalho às 17h50, o dia já começou a escurecer e ao chegar em casa é noite. "Já no horário de verão tudo muda. Saio de casa com o sol alto, e ao terminar meu trabalho, o sol ainda está lá". Laiza ressalta ainda que gosta da temperatura predominante no fim de tarde desta época, pois é calor, e ao mesmo tempo, fresquinho.
Este horário, para Laiza, causa a impressão de que o dia é mais longo, e por isso tem mais tempo depois do trabalho para fazer coisas que no horário normal não conseguiria por já ser noite. Agora ela consegue cuidar de suas plantas, realizar caminhadas e visitar amigos. "Parece que eu finalmente produzi alguma coisa. É como se o dia tivesse mais horas do que normalmente", assinala.
*Estagiária, sob a supervisão de Jessica De MarcoCompartilhe